O mercado imobiliário em Portugal entra em 2026 com um conjunto de dinâmicas bem definidas, resultantes da conjugação de fatores económicos, demográficos, financeiros e políticos. A evolução dos preços, a atuação do Estado, o comportamento do crédito à habitação e a mudança nas preferências dos compradores estão a redefinir não apenas o valor dos imóveis, mas também os critérios de escolha de quem compra e investe.
Neste artigo, analisamos as principais tendências do mercado que estão a orientar as decisões de famílias, investidores e promotores imobiliários em 2026.
Valorização sustentada em mercados consolidados
Uma das principais tendências do mercado imobiliário em 2026 é a continuidade da valorização dos preços nas zonas urbanas consolidadas, com destaque para Lisboa e Porto. Os dados mais recentes indicam que os preços das casas mantêm uma trajetória de subida consistente desde o segundo trimestre de 2024, impulsionada por uma procura estruturalmente elevada e por uma oferta limitada, sobretudo em zonas centrais.
Esta valorização não é homogénea, mas concentra-se em áreas com boa acessibilidade, serviços, emprego qualificado e infraestruturas consolidadas. Para os compradores e investidores, estas zonas continuam a ser vistas como mercados de menor risco, onde a liquidez é elevada e a preservação de valor é mais previsível.
Relevância crescente da qualidade de vida na escolha da localização
Uma das tendências de escolha mais marcantes em 2026 é a valorização da qualidade de vida como critério determinante na decisão de compra. Fatores como menor densidade urbana, acesso a espaços verdes, tranquilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional ganham peso, especialmente num contexto em que o teletrabalho continua a ser uma realidade para muitos profissionais.
Procura por tipologias funcionais e espaços flexíveis
Em 2026, as preferências dos compradores revelam uma clara tendência para tipologias funcionais, como T1 e T2, sobretudo em mercados urbanos. No entanto, existe também uma crescente valorização de espaços flexíveis, capazes de acomodar funções híbridas, como trabalho remoto, estudo ou atividades complementares à vida familiar.
Esta tendência de escolha está a influenciar a oferta imobiliária, levando promotores e construtores a desenvolver projetos com layouts adaptáveis, áreas comuns mais funcionais e soluções que respondem a estilos de vida mais versáteis.
Sustentabilidade e eficiência energética como critério de decisão
A sustentabilidade assume um papel cada vez mais relevante nas decisões imobiliárias em 2026. Compradores e investidores demonstram maior sensibilidade à eficiência energética dos imóveis, tanto por razões ambientais como económicas. Por isso, a certificação energética deixa de ser um elemento secundário e passa a integrar o núcleo da decisão, influenciando o valor percebido do imóvel e a sua capacidade de valorização futura.
Investimento mais racional e baseado em dados
Em 2026, observa-se uma maturação do investidor imobiliário, com decisões cada vez mais orientadas por dados concretos, como preço por metro quadrado, rendimento potencial, risco regulatório e liquidez do mercado. O investimento é feito, cada vez mais, apoiado por estratégias mais racionais e sustentáveis. Os investidores privilegiam mercados com histórico de valorização, procura consistente e enquadramento fiscal favorável, mesmo que isso implique aceitar retornos mais moderados em troca de maior segurança.
Enquadramento regulatório como factor de escolha
Por fim, o enquadramento fiscal e regulatório assume um peso crescente nas decisões imobiliárias. Benefícios como isenções fiscais, redução de impostos para senhorios, incentivos à reabilitação urbana e simplificação dos processos de licenciamento influenciam diretamente onde e como investir.
Em 2026, a previsibilidade regulatória torna-se um critério de escolha essencial, levando compradores e investidores a preferir mercados onde o enquadramento legal é claro e estável.
As tendências do mercado imobiliário em Portugal em 2026 revelam um setor em transformação, marcado por valorização seletiva, segmentação geográfica e maior racionalidade nas decisões. O sucesso no mercado imobiliário dependerá menos de intuição e mais de análise estratégica e compreensão profunda do contexto local.