O acesso ao crédito à habitação poderá tornar-se mais exigente em Portugal. O Banco de Portugal anunciou a intenção de reduzir a taxa de esforço máxima permitida na concessão de crédito habitação, passando dos atuais 50% para 45%. A medida surge num contexto de forte crescimento do crédito à habitação, aumento dos preços das casas e maior recurso ao financiamento por parte dos jovens compradores.
Mas o que significa esta alteração na prática? Quem será mais afetado? E como pode preparar-se para continuar a ter acesso ao financiamento?
Neste artigo, explicamos o que é a taxa de esforço, o que muda com a nova proposta do Banco de Portugal, quem poderá ser mais afetado por esta alteração e quais as estratégias que podem ajudar a aumentar as hipóteses de aprovação de um crédito habitação.
O que é a taxa de esforço?
A taxa de esforço corresponde à percentagem do rendimento líquido mensal de um agregado familiar que é destinada ao pagamento de créditos.
No cálculo entram todas as prestações financeiras existentes, incluindo:
- Crédito à habitação;
- Crédito automóvel;
- Crédito pessoal;
- Cartões de crédito;
- Outros financiamentos em curso.
Por exemplo, uma família com um rendimento líquido mensal de 2 mil euros e prestações mensais de 800 euros apresenta uma taxa de esforço de 40%.
O que muda com o novo limite de 45%?
Até agora, os bancos podiam aprovar financiamentos desde que a taxa de esforço do cliente não ultrapassasse os 50%, respeitando as recomendações em vigor. Com a nova proposta do Banco de Portugal, esse limite passará para 45%, reduzindo a margem disponível para assumir encargos com crédito.
Na prática, isto significa que:
- Algumas famílias poderão obter montantes de financiamento mais baixos;
- Será mais difícil conseguir aprovação para créditos de valor elevado;
- Quem já possui outros empréstimos poderá ver reduzida a sua capacidade de endividamento;
- Os bancos poderão exigir uma análise financeira mais rigorosa.
Porque está o Banco de Portugal a apertar as regras?
Segundo o regulador, o objetivo é preservar a estabilidade financeira e evitar situações de sobre-endividamento das famílias. O aumento dos preços da habitação, o crescimento do crédito concedido e o maior recurso a financiamentos com taxas de esforço elevadas levaram o supervisor a considerar necessário reforçar as regras prudenciais.
Além da redução da taxa de esforço, o Banco de Portugal está também a avaliar alterações às exceções atualmente permitidas aos bancos e aos limites de maturidade dos contratos de crédito habitação.
Como aumentar as hipóteses de aprovação do crédito?
Se pretende comprar casa nos próximos meses, existem algumas medidas que podem melhorar o seu perfil financeiro:
- Amortizar ou liquidar créditos pessoais existentes;
- Reduzir o saldo de cartões de crédito;
- Aumentar o valor da entrada inicial;
- Melhorar a estabilidade dos rendimentos do agregado;
- Comparar propostas de diferentes instituições bancárias;
- Recorrer a um intermediário de crédito para encontrar soluções mais adequadas ao seu perfil.
A redução da taxa de esforço máxima de 50% para 45% representa um novo aperto nas condições de acesso ao crédito à habitação. Embora a medida tenha como objetivo proteger as famílias e reduzir o risco de incumprimento, poderá dificultar a obtenção de financiamento para alguns compradores, sobretudo aqueles que já apresentam níveis elevados de endividamento.
Por isso, antes de avançar para a compra de casa, é fundamental analisar cuidadosamente o orçamento familiar, reduzir encargos desnecessários e preparar a candidatura ao crédito da forma mais sólida possível. Um planeamento financeiro adequado continua a ser o melhor aliado para concretizar o sonho da casa própria